segunda-feira, 17 de setembro de 2018


Garimpagem, por Stanislaw Azir.

Tenha sempre consigo papel e a pena
E sem pena escreva o que vir na telha 
E não tenha medo
Pense que logo cedo virá o discernimento que ilumina a mente
Na garimpagem do ouro novo do coração e do espírito
No estresse ou na calma
Nosso ser e essência
Para encontrar a alma do mundo e o mundo do homen
Tudo a seu tempo...
Porque sempre é tempo...
Se tiver que ser, que seja...
Mas não impeça o que virá como grito de dor
E o que brotar...
Garimpe depois...
Não te preocupes...
Escreve somente...


O importante é ser a você mesmo...
Faça com que o belo ontem o seja hoje
Para que nada de bom morra
não elogies, nem mintas
Não esconda virtudes doutrem, porém
Existem sempre melhores do que nós
Maturidade é não dar gritos e ser ouvido 
É ser soluço, e o riso...
Desejar a outros antes que a si mesmo...
Á medida do equilibrista
Morra em sua vida a vergonha de escrever o que claramente vejo:
Você é beleza singela 
Uma santa inspiração
És como santa maria
És do silêncio serva
És poesia
És tua própria criação


Constrói-te, mulher!
É que para sempre do senhor Deus te inspire
Se não quiser falar, não fale: Escreva!
Que assim seja. Amém.

ARTE E SOCIEDADE: A ARTE NOS PROJETOS SOCIAIS

Este é o tema de um trabalho que passei para alunos do 7º ano do fundamental na disciplina de ARTES. 

O trabalho seria feito em dupla e apresentado em sala durante 10 a 20 minutos.
Dado um mês para que os alunos pesquisassem na internet projetos  de arte que tivessem impacto social nas comunidades carentes.
Como produto final, eles fariam cartazes para o mural da escola.

RELEVÂNCIA DO TRABALHO: 

mostrar para as crianças que a arte pode transformar realidades e dar esperança. Muitos não sabem o poder que tem até que a arte lhes mostre. Viva a Arte!




terça-feira, 14 de junho de 2016


VIDAS SECAS
DE GRACILIANO RAMOS
A CONCEPÇÃO DO HOMEM


O QUE SÃO VIDAS SECAS?

Por que esse nome? Por que dispor uma qualidade material a um item abstrato? Sequidão é uma qualidade das coisas que se aquecem e perdem umidade. Flores secas murcharam, perderam a vida. Se perde a vida e fica seca, como pode ainda ter vida e essa vida ser seca? Teremos que partir para um campo metafórico, pois o empírico não nos satisfaz. Seca pode ser também uma atitude: agiu com secura, sem perdão, sem coração. Vidas secas são vidas sem esperança, sem chão. Claro que não ficção chão não falta, o que falta é água na terra e compaixão nos corações dos homens de corações secos de ódio, ganância e medo ou simplesmente falta de motivação real para seguir adiante.

A forma ficcional de G. Ramos é ultra-realista. A escrita não preza pelos adjetivos. É muito substantiva. A forma do ser humano ser descrito é observada jornalisticamente, poderíamos dizer, porque não diz mais do que vê, não se perde em divagar pensamentos. Não põe sua opinião à vista. Deixa que o leitor o faça. Esse homem trazido à luz por Vidas Secas é instrospectivo, a família é isolada. Os vizinhos não tem importância, as relações sociais citadas pelo livro apenas servem como exemplos no panorama de degradação psicológica e existencial. 
Fabiano não se sente capaz de zelar pela própria família; tentou em vão alimentar os filhos e esposa. A mulher também é um ser humano desesperançado. A seca não perdoa. E mesmo fugir da seca exige que se tenha dinheiro para pagar a viagem. Vai-se a pé, com fome, sede. Essa é uma realidade difícil até de sonhar. Apenas se segue um passo depois do outro. De uma fazenda a outra. De uma decepção a outra.

A família é explorada seguidamente. No armazém, no trabalho, no salário, no jogo...
Sofrendo, uns descontam nos outros. A rede social da raiva circula de medo em medo e de falta em falta. Os males das personagens do drama graciliano representam bem os sofrimentos por que passam os pobres de muitos lugares do mundo. Por isso a obra é universal. Poderíamos estar vendo, imaginando explorados de diversos lugares do mundo capitalista, feudal, socialista. O coronelismo que perdura nas terras brasileiras é um alvo da crítica graciliana.

Sem cama para dormir, Sinhá Vitória sonha com uma cama, que simboliza no seu contexto uma fixação na terra, o abandono da vida nômade que leva. Todos tem um grande desejo simbolizado nas pequenas coisas, nos minúsculos prazeres que advém de uma condição de dignidade humana básica.
O Fabiano queria ter voz para ter vez. Não sabe falar como convém. Precisa da fala para adquirir poder neste mundo, mas a palavra certa na hora certa que falta. Não falta apenas a destreza no discurso; tudo é causado pela aceitação introjetada, uma resignação ensinada e aprendida de geração em geração de que as coisas são como são e não podem ser diferentes, faça o homem o que fizer.
A linguagem, lembremos, é uma das principais faculdades humanas. Durante muito tempo ser humano significava consensualmente que se possuía a capacidade lingüística. A retirada de lugar, sair de um para o outro indica também esse não pertencimento a este mundo. Vidas secas lembra partes de Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto que também focou seu texto em descrever as penúrias do homem forte.

O livro de Graciliano nem mesmo parece concorda com o famoso autor que disse: o sertanejo é acima de tudo um forte. Até mesmo contradiz a idéia que o resto do Brasil tem de que os nordestinos em geral são homens agressivos, “brabos”, fortes. Fabiano é tudo, menos a fantasia criada em ficções fantasiosas. É ficção, pois é fruto da imaginação do autor, mas não é algo irreal ou utópico, ao contrário, relata algumas experiências padronizadas, tipológicas que encarnam muitas outras vivências de séculos de seca.





terça-feira, 31 de maio de 2016

Davi versus Golias

Não sonheis os sonhos dos tiranos













não vos iludais, observai e aprendei
viver é lutar contra o que há dentro

que não saia,
que se cale,
que se encerre.

e que no domine, se sair
e que nao aja, se não para de falar
e que seja petrificdo se nao termina.

quem pôs essa ideia na sua cabeça?
quem foi o sábio que te ensinou?
que cultura te impuseram?

a cultura plantada é a cultura colhida

o fio do arrroz só vive onde tem de viver
mas o homem reside onde há de morrer
e o que reside o homem pode nem durar

nasce de novo
morre de novo
sempre é tempo de se encontrar...